O Dia dos Namorados é uma seca para toda a gente. Os que namoram vêem-se na obrigação de cumprir os rituais que lhes mandam cumprir o mercado, os mecanismos de incentivo ao consumo e outras americanices. E as namoradas, claro, que alinham nisso, completamente. Os que não namoram são acometidos de uma febre insuportável, típica de quem não namora e já não se lembra bem de tudo o que isso implica... Ver os outros a desenrolar o papel de ver e ser vistos, numa competição horrorosa de amorzinhos e florzinhas e abracinhos e miminhos fá-los rebentar de raiva e inveja. Não é que se queira realmente fazer aquilo. É que chateia estar expulso da competição, desclassificado por falta de comparência.
Eu também cumpro alguns dos rituais não neste dia, mas de vez em quando. Mas isso é porque a Dora é uma típica mediterrânica - insuficientemente individualista para se estar a marimbar para isso, demasiado explosiva para eu me arriscar a fracassar. Eu, evidentemente, tenho medo. E quanto mais namoro, melhor a conheço - cresce o pavor! Não é bem que ela me agrida, mas qual é o homem que tem coragem de enfrentar aqueles olhares de reprovação feminina?
Eu, claro, fracasso muitas vezes, mesmo quando fiz tudo correcto. Outra coisa não seria de esperar. A única forma de sobreviver é manter esta sedução permanente, um sorriso malandro - pode ser que me escape!, pode ser que me perdoe! Inventamos uns rituais de sobrevivência conjugal, para não sacrificarmos de vez o mau feitio de cada um, que tanto prezamos. O Dia dos Namorados cá em casa é todos os dias. Mas agora é tarde. Já me viciei nisto. E até gosto!
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário